terça-feira, 31 de janeiro de 2017

MACONHA CLÍNICA. BENEFÍCIOS E DANOS DA CANNABIS


Novos estudos aprofundam o que se sabe a respeito dos efeitos provocados pelo uso da maconha, tanto para uso médico quanto recreativo. Os pontos positivos e negativos se equivalem, e é necessário bom discernimento para não cometer enganos perigosos.


Por: Equipe Saúde 247


Maconha, cannabis, marijuana, hashish: quando se fala de “erva” assistimos quase sempre uma confusão terminológica. A marijuana é uma substância psicoativa que se obtém fazendo secar as florescências da planta Cannabis sativa. A maconha…. Nem todas as
variedades dessa planta são no entanto aproveitadas com finalidade recreativa: apenas as que pertencem ao genotipo THCAS (comumente definidas “canapa indiana”) têm efeito psicoativo devido ao conteúdo de tetraidrocanabinol (THC). 

 A maconha é um “fármaco” útil para ajudar no tratamento de diversas doenças, sem efeitos colaterais. A maconha é uma substância que pode induzir dependência, e que ao longo do tempo pode provocar danos ao físico e à mente. O debate sobre a cannabis, com as mais diversas nuances, gira há muito tempo sobre essas duas posições contrastantes.

Um novo e muito abrangente relatório publicado pela National Academies of Sciences norte-americana examinou o conjunto das pesquisas que há anos estão sendo publicadas a respeito do uso da cannabis com finalidades médicas ou recreativas, estabelecendo pela primeira vez, com um certo grau de clareza, quais são os seus efeitos positivos e negativos sobre a saúde agora confirmados.


Como ela atua
Antes de tudo, é preciso dizer que o efeito da cannabis como fármaco se baseia nos compostos que ela contem, os canabinoides. O mais conhecido deles, o THC, está na origem tanto dos seus efeitos psicoativos quanto das suas propriedades farmacológicas. Esta substância é capaz, de fato, de ligar-se de modo especifico a receptores presentes na superfície das células do nosso organismo, que por sua vez produzem de modo natural moléculas como os endocanabinoides, envolvidos em muitas funções fisiológicas, do apetite ao metabolismo, da memória à reprodução.

O debate é intenso entre os que consideram a cannabis um auxílio médico útil, e os que consideram que seus benefícios foram supervalorizados, e os riscos que ela oferece para a saúde não são desprezíveis. O tema é de particular importância nos Estados Unidos, onde diversos estados começam a legalizar o consumo da cannabis inclusive com finalidades recreativas.


Onde e quando ela é eficaz
Do novo relatório – uma revisão da literatura científica publicada a partir de 1999 – fazem parte mais de 10 mil estudos. Ele confirma que a cannabis é um tratamento bastante eficaz das dores crônicas dos adultos, particularmente as que derivam da espasticidade (distúrbio de controle muscular que é caracterizado por músculos tensos ou rígidos e uma incapacidade de controlar os músculos) em doenças como a esclerose múltipla.

Nessa área, a evidência é definida como “conclusiva”, e a cannabis avalizada como um fármaco válido e inclusive mais seguro do que os fármacos opioides. Um outro campo no qual se confirma a eficácia da cannabis é o tratamento da náusea e do vômito induzido pela quimioterapia nos pacientes que sofrem de tumores.


Cultivar a cannabis não é uma atividade “verde”, a menos que o cultivo seja ao ar livre ou sob lâmpadas LED de baixo consumo energético. Com base em um relatório publicado em 2011 pelo Lawrence Berkeley National Laboratory (EUA), para um único “baseado” são produzidos, no cultivo em estufa, cerca de 0,9 kg de CO2, o equivalente à quantidade emitida por uma lâmpada acesa durante 17 horas.

Onde ela talvez funcione, mas não se tem certeza
Existem provas, embora não totalmente sólidas – definidas no relatório como “evidência moderada” – de que a cannabis médica ajuda a melhorar os distúrbios do sono dos pacientes sofredores de certas doenças.

Existem também algumas evidências de que ela ajude a melhorar o apetite e a perda de peso em pessoas doentes de AIDs, bem como a melhorar os sintomas da síndrome de Tourette, uma doença neurológica, ou o distúrbio de ansiedade. Em todas essas condições a cannabis está sendo experimentada ou já é de franco uso pelos pacientes.

Por outro lado, ainda não existem evidências de que ela sirva de algum modo para toda uma lista de doenças que vão do glaucoma à esclerose lateral amiotrófica, da síndrome do colon irritado ao mal de Parkinson, e à epilepsia.


Os possíveis danos
Quanto aos possíveis danos e efeitos negativos à saúde para quem fuma maconha, o relatório confirma a ideia de que ela é, em geral, menos perigosa do que outras drogas. Para começar, nunca foi estabelecida com certeza uma morte por overdose de maconha. Mas ela não é assim tão inócua como muitos acreditam. As análises confirmam algumas suspeitas de danos. Os fumadores de longa data correm mais riscos de bronquite e outros sintomas respiratórios. As mulheres grávidas que a usam têm uma probabilidade maior de parir crianças com peso abaixo da média. E, em geral, quem a consome tem um risco mais alto de desenvolver esquizofrenia e psicoses. Bem como de sofrer acidentes quando conduz um carro.

Também existem indícios de que o uso frequente de maconha possa piorar os sintomas de depressão ou as ideias suicidas e a ansiedade, e que ela tenha a ver com algumas doenças como o câncer dos testículos e ataques do coração.

Em compensação, existe uma evidência não definitiva, mas de qualquer forma moderada, que a maconha piore o aprendizado, a memória e a atenção. Nenhuma ligação foi por outro lado estabelecida com os tumores comumente associados ao tabaco do cigarro, como o câncer de pulmão e outros tipos de tumores, asmas e doenças cardiovasculares.


Deve ser considerada uma droga leve?
Quanto à suspeita de que a maconha seja a porta de entrada para o consumo de drogas pesadas, o relatório encontrou provas consideradas “limitadas” e “moderadas”. Mas encontrou comprovações “substanciais” de que quanto mais intenso e frequente for o seu consumo, mais se corre o risco de cair sucessivamente na dependência.

Existem fatores que fazem com que o risco seja maior (e também nesse aspecto as evidências são “substanciais”): o fato de a pessoa ser do sexo masculino, de também fumar cigarros, o fato de ter um distúrbio depressivo e de ter começado muito jovem.

Outros elementos até agora considerados fatores de risco, como o fato de sofrer de ansiedade ou distúrbio bipolar, distúrbio de déficit de atenção ou dependência do álcool e do tabaco, parecem menos importantes. Também para o desempenho sexual, para completar, a maconha se confirma bem menos perigosa do que outras drogas, mas não tão inócua quanto se crê.

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