terça-feira, 8 de março de 2016

As mulheres da minha vida


A primeira grande mulher da minha vida foi Dona Emília, minha mãe. Ela me amamentou, me ensinou a viver, guiou meus passos, sofreu comigo, sorriu com meu sorriso, compartilhou minhas alegrias e tomou para si as minhas tristezas.
A minha segunda grande mulher foi Tia Jovem. Esqueceu de viver para viver pelos sobrinhos. Foi nossa segunda mãe. Alegre, às vezes irônica, nunca a vi triste. Nem na hora de morrer lamentou da sua situação.Ao contrário, morreu perguntando pelos sobrinhos, preocupada em saber como eles estavam.
Vieram as três mulheres, frutos do amor de Miguel e Emília. A mais velha, companheira de infância, as mais novas, a primeira experiência de pai postiço, o irmão mais velho cuidando das mais jovens. Depois elas se transformaram em mulheres de seus maridos e eu, então, fui buscar a mulher definitiva, aquela que ficaria comigo até o fim dos dias, cumprindo a promessa feita diante de Deus.
E chegou dona Cacilda. Era uma menina de quinze anos, formosa aos olhos gulosos daquele rapagão acostumado a enfileirar namoradas e delas usufruir até o último beijo.
Mas a menina mostrou personalidade forte, conquistou o conquistador e o levou ao altar.
Fez mais, muito mais.
Provou por A mais B que era verdadeira aquela conversa de que um homem só é grande um dia se tiver uma mulher a vigiar seus passos.
E vigiou, e deu amor, e deu o porto seguro, a certeza de que, mesmo nas horas mais indefinidas, eu jamais estaria sozinho.
E comigo enfrentou as piores barreiras. Momentos dificieis, dos tostões contados, da casinha pequena de poucos móveis,  da feira de fim de tarde onde se comprava mais barato, dos ônibus lotados, das filas do SUS.
E assim se passaram 40 anos.
Quarenta anos de incontáveis alegrias, de tristezas também.
E nesses quarenta anos, vieram as outras mulheres da minha vida.
Niâni, a filha guerreira, mulher de caráter, mãe extremada, orgulho deste pai coruja, ontem a menina raquítica que precisava dos pais para engatinhar os primeiros passos, hoje o espelho que nos guia com o seu exemplo.
Emília, a primeira neta e por isso a experiência mais gostosa de se descobrir avô, pai duas vezes, o velho que se remoça.
E Priscila, a nossa caçula, flor que emerge no nosso jardim quase sem cor para reavivar sentimentos, florescer o sorriso e avisar que a vida nunca é bastante para considera-la finda, pois sempre haverá um motivo para recomeçar.
Mulheres da minha vida, razão do meu viver. Que neste dia da mulher, vocês saibam que esse velho que vos fala ama vocês de todo o coração.

Tião Lucena

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