sábado, 18 de agosto de 2012

São Paulo é o maior fumódromo do país


Quando uma massa de calor cobre a capital paulista, torna o dia-a-dia na poluída e cinza São Paulo um test drive do inferno. Se é ruim para mim que moro em apartamento de alvenaria, imagine para quem vive sob teto de zinco ou estuda em escolas de madeira. O problema de torcer por uma chuva que exorcise o capeta e limpe o ar é que ela sempre encontra uma cidade impermeabilizada por asfalto e concreto, com infra-estrutura insuficiente de escoamento de águas pluviais, além de moradias precárias em situação de risco (enquanto há prédios e mais prédios fechados para especulação imobiliária, sem função social). É claro que na lista de prioridades da metrópole – pelo menos na dos que a governam ou sobre ela noticiam – o engarrafamento causado por uma enchente é sempre mais relevante que o desabamento de cortiços ou a inundação de uma favela.
Como já disse aqui antes, nesses dias, quando retorno a São Paulo pelo alto, vejo minha cidade imersa em uma camada marrom e espessa, uma coisa de metros de altitude e quilômetros de largura. Aí me lembro que convivemos com uma faixa escura preenchendo o lugar em que estaria o horizonte – levantado, por ela, alguns centímetros do seu lugar de direito. Talvez pelo fato disso parecer distante, o paulistano não acredita que está imerso nela. Sente seus efeitos quando os olhos começam a coçar, a asma ataca ou aquele pigarro fica mais comprido que o de costume. Os pronto-socorros pululam de gente, principalmente crianças e idosos, atendidos por problemas respiratórios causados ou agravados pela poluição.
Enquanto isso, em um final de tarde, em um bar vilamadalenizado, amigos de amigos se refestelavam ao dizer que a metrópole fica linda nessa época do ano, com seus pôres-de-sol vermelhos… (!) Tento até protestar, mas a minha tosse pediu que me mantivesse calado, com modos.
Os noticiários salpicam aqui e ali que a inversão térmica está dificultando a dispersão dos poluentes, mas nada de falar sobre o nosso modo de vida e as consequências de nosso modelo de desenvolvimento: carbono, enxofre, chumbo e uma sopa de produtos químicos expelidos principalmente por veículos. Comemoramos cada novo recorde de produção e comercialização de automóveis e a graça alcançada pelo IPI reduzido – mas sem muita efusão, para não acabar com o fôlego. Pra frente, Brasil!
Se por um lado esse crescimento econômico dá a possibilidade de ter acesso a coisas que não tínhamos antes, por outro outro nos tira preciosos dias de vida. Pois respirar o ar de São Paulo certamente me levará mais cedo para a sepultura. Estamos programados para aceitar bovinamente que moramos em um fumódromo – quem vive em Sampa, traga o equivalente a três cigarros por dia. E se alguém reclama, algum adepto do “paulistanismo”, o nacionalismo paulistano, patologia que cresce impune por essas bandas do Trópico de Capricórnio, prontamente vomita: São Paulo, ame-a ou deixe-a.
Imaginem isto aqui em 100 anos, com três, quatro graus a mais de temperatura média anual, resultado do aquecimento global causado pela nossa própria ignorância e voracidade por recursos naturais? Além do mais, quando boa parte da Amazônia virar um grande pasto, entrecortado por plantações de grãos e de dendê, a ausência da floresta por lá vai piorar no clima desta cidade, uma vez que a região amazônica é que manda umidade para São Paulo. Sem isso, aqui seria tão seco quanto outros locais do planeta na mesmo latitude. Talvez não tenhamos mais as enchentes de hoje. Mas até lá já teremos passado o limite que torna a vida na cidade suportável.
Se bem que para milhões de paulistanos, excluídos por questões ambientais, sociais, econômicas, culturais esse limite já foi ultrapassado há muito tempo. Ou talvez nunca tenha existido.
Boa parte desses vêem com desconfiança toda essa animação eleitoral que, a cada quatro anos, toma conta das ruas da cidade, pedindo o seu voto. Analistas dizem que isso é prova de que falta ao povão cultura política.
Temo que, na verdade, isso seja a prova exatamente do contrário: a indiferença é por excesso de cultura política.

Campestre Clube Velho de Guerra


Campestre Clube Velho de Guerra
                                                                               ( Reynollds Augusto)


Você sabe que nós temos um “HD” espiritual que comporta tantos registros que o melhor computador que existe ou que virá, não consegue se aproximar. Até rimou.
 É isso mesmo, todas as nossas existências, experimentadas nessa vida eterna, que não tem fim, para o espirito, pois somos imotais, estão guardadas no profundo da individualidade, que somos todos nós e que representa a soma de nossas personalidades, em diversos contextos, como a atual, com esse RG, esse CPF e essas ilusões. 
Tá tudo guardado e nada se perde. Acionamos as vivências como a dessa encarnação, que o tempo parece apagar e também de outras vidas, quando se é preciso lembrar. Rimou de novo. É mania de ser poeta. Poeta mesmo é  o meu grande irmão , amigo e conterrâneo, MERLÃNIO MAIA. Ô homem, para tratar do que realmente interessa!
 Mas ás vezes eu fico analisando a ingenuidade de uns que dizem não acreditar em reencarnação, pois não se lembra do que viveu. Puro engano, pois se  nem nessa vida conseguimos lembra-se de tudo, imagine de centenas, milhares de vida. Vamos fazer um teste:
 que você fez em 18 de agosto do ano passado? 
 Não vale se foi o dia do seu aniversário. Não lembra, não é?
 Mas você esteve lá e sorriu, chorou, viveu e tudo Ou Vai dizer que você não acredita que esteve lá?  E foi “nessa vida” mesmo.
Então nem tudo nós lembramos e se essas lembranças estivessem ativas no plano da consciência, seria uma loucura sem fim. É por isso que Deus, Pai de sabedoria, faz você reencarnar, sem lembrar, para continuar a aprender a amar, desfazer o mal que realizou, para se “salvar” (que é evolução), e continuar a andar. Rimou de novo.
 Mas hoje eu resgatei um registro, dessa vida mesmo, da minha adolescência querida, que como diz o poeta, “os anos não trazem mais”. Uma foto de um trio, talvez os do nordeste, das antigas, publicada no face book, por Patrícia, no velho campestre de guerra.
Passamos muitas alegrias naquele clube e foi lá que comecei a ter contato com o amor de minha vida, com aqueles olhares, receios, paqueras, que vocês conhecem. Hoje estamos casados e se soubesse que casamento era tão bom, teria casado antes. É uma pena que muitos não aprenderam a lição que casamento é uma união de almas, que recebem outras almas, para que juntos possam aprender a amar, respeitar e encontrar a felicidade, rumo à luz.
O campestre que recebeu Nelson Gonçalves, Elba Ramalho, Os três do Nordeste, Gonzaguinha, Luiz Gonzaga, O trio nordestino, Pinto do Acordeom, Jorge de Altinho... nas noites memoráveis de São Pedro, em que as famílias se reencontravam, para brincar a vida, sem as maldades de hoje, está para ser reaberto, segundo o meu venerável ZÉ NILTON.
 Ele me convidou para ser sócio como meu pai sempre foi. De pronto aceitei e estou à disposição para dar a minha contribuição.  Sei que aquela energia de outrora, não voltará mais, e por isso mesmo, meu amigo, não seja “besta”, aproveite o momento presente, que é quase virtual, e viva a vida agora, concretamente.
 Sei que o velho campestre não voltará mais como dantes, tudo passa, a vida física é impermanente, mas a do espírito é imortal e as boas lembranças alimentam a alma.
Vamos resgatar o  velho Campestre de Guerra!
 Quem sabe possamos usar a expressão do  grande espírito CHICO XAVIER, um desses cometas que passou pela Terra deixando um rastro de luz, que jamais se apagará, para que possamos segui-lo.
 “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.
 Quem sabe se não fazemos um novo fim para o campestre?
Quem sabe se a geração de hoje possa, também, encontrar a felicidade que experimentamos outrora?
 ENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO
www.reynollds.blogspot.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

SAUDADES DE TEMPOS FELIZES E DE MEDOS INOCENTES

Saudade de Tempos Felizes e de Medos Inocentes
(Laura Pereira)
Às vezes, quando me sinto triste e sozinha, me ponho a lembrar dos momentos felizes de minha infância, da minha Itaporanga de outros tempos… Os pensamentos do passado, por algum tempo, substituem os momentos presentes e é no passado que localizo, com certa facilidade, a imagem das ruas, das brincadeiras, das cantigas e estórias que escutávamos dos amigo, quando nos reuníamos nas calçadas, para brincar ou para contar "fatos" deste e do outro mundo.
Então, quem, quando criança, não se reuniu com os amigos para ouvir esses contos mal-assombrados? Eu me reunia sim, principalmente quando faltava energia elétrica, e o cenário dessas conversas estranhas era a nossa boa e velha Igreja do Rosário. Sim, ela sempre majestosa, com sua torre erguida, enegrecida pelo tempo e visitada por diversos morcegos que vinham assombrar os nossos sonhos (ou pesadelos) de infância.
Falava-se muitas coisas, de pessoas que ouviam choro de crianças, que morreram sem se batizar e de missas que aconteciam durante a madrugada, mas quando se chegava perto não havia nada, só as portas trancadas (e sebo nas canelas).
Hoje, a igreja está muito diferente, restaurada graças aos fiéis católicos que trataram de reerguê-la, depois de uma forte tempestade que derrubou a sua torre principal, aquela mesma que punha o medo nos meus sonhos e sobressaltos noturnos.
Mas, quando criança, sempre que tinha de passar por ela, para comprar guloseimas na bodega do saudoso “Seu Dudu”, virava o rosto e passava na carreira, com medo das “almas penadas”, que cantavam nas missas fantasmas, segundo os mais velhos.
O sino a bater, anunciando a passagem de alguém para o mundo maior, deixou em mim uma lembrança fúnebre, não muito feliz .Aquele tempo mágico guardava em si tantos mistérios e segredos que a minha razão atual sente saudades, saudades das “verdades, que eu sabia”. Depois, nem tudo era medo.
Tinha também, durante à noite, a música dos jovens concluintes ,em busca de recursos financeiros. Isso mesmo, quem do meu tempo não se lembra dos concluintes que, para recolher dinheiro à excursão da escola, cantavam durante as madrugada:

“Com licença, dona de casa, abra a porta e acenda a luz, viemos pedir ajuda a só saímos com ela…”

E só saíam mesmo quando recebiam alguma coisa.

“Se não quiser abrir a porta bote aqui pela janela...”.E eu espiava pelas frestas da janela da minha casa. Momentos de pura magia, aqueles, até que o juiz proibiu as cantorias noturnas.
Lembrar a infância com seus medos, angústias, alegrias e inocências revelam o nosso lado ainda infantil. Quem não guarda dentro de si uma criança que tem medo de cemitério, de igrejas vazias, de capelas abandonadas, de almas e de estórias do outro mundo?
Nós crescemos, aprendemos como as coisas funcionam e encontramos explicações para tudo, no entanto, não esquecemos aqueles momentos de suspenses. Mas, para a nossa felicidade, aqueles momentos, de pura alegria e despreocupação com a vida, perduram e nos faz felizes, principalmente quando nos sentimos tristes e sozinhos, como no começo deste texto.