sexta-feira, 30 de março de 2012

STJ num dia diz que não há violência em estuprar menor prostituída, agora libera bebum ao volante

O caso das menores estupradas comentei aqui, Foi uma decisão do Superior Tribunal de Justiça. Promotores e a ministra dos Direitos Humanos estão recorrendo da decisão.

Agora, com o voto de minerva da mesma ministra do caso das meninas estupradas, Maria Thereza de Assis Moura, presidenta da Terceira Seção, o STJ definiu que apenas o teste do bafômetro ou o exame de sangue podem atestar o grau de embriaguez do motorista para desencadear uma ação penal. A tese serve como orientação para as demais instâncias do Judiciário, onde processos que tratam do mesmo tema estavam suspensos desde novembro de 2010 

Com isso, liberou geral, pois basta o bebum se recusar a fazer os exames para sair livre, cambaleante e solto do desastre que causar. Afinal, é sagrado o direito de não produzir prova contra si.

A decisão de agora, como a das meninas prostituídas, é, segundo advogados, tecnicamente perfeita. Mas o resultado apertado da decisão (5 a 4) mostra que os próprios ministros ficaram divididos, provavelmente antevendo os problemas que essa desastrada decisão vai causar. No caso das meninas, houve três votos contrários à decisão.

No entanto, prevaleceu o direito dos criminosos (taradões e bebuns ao volante) em detrimento dos nossos.

Esse é o mesmo Judiciário que dá dois habeas corpus seguidos a um banqueiro bandido e mantém preso ladrão de lata de sardinha.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Sacerdócio

SACERDÓCIO

Medicina não é só uma profissão
É também um sacerdócio
Mas muitos por ambição
Dela, se tornaram sócios.

O médico ao se formar
Ergue a mão em juramento
Promete vidas salvar
E aliviar sofrimentos.

Mas se torna ambicioso
E tendo nas mãos a ciência
Faz o aborto delituoso
Sem temer a consciência.

È o médico da elite
Vive no mundo ilusório
Este nem sequer permite
Pobre, em seu consultório.

Mas há os filhos de Deus
Que amam sua profissão
Esquecem os desejos seus
Para servir aos irmãos.

ESPÍRITO: Um amigo Poeta
MÉDIUM: Lúcia, no Centro Espírita Jesus de Nazaré em Itaporanga.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Justiça determina que não é violência ato sexual com menor de 14 anos, se ela for prostituta


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que presunção de violência contra menor de 14 anos em  estupro é relativa.

A decisão se deu quando da análise do caso de um sujeito acusado de ter praticado estupro contra três menores, todas de 12 anos.
“A prova trazida aos autos demonstra, fartamente, que as vítimas, à época dos fatos, lamentavelmente, já estavam longe de serem inocentes, ingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo. Embora imoral e reprovável a conduta praticada pelo réu, não restaram configurados os tipos penais pelos quais foi denunciado."

(...) “O direito não é estático, devendo, portanto, se amoldar às mudanças sociais, ponderando-as, inclusive e principalmente, no caso em debate, pois a educação sexual dos jovens certamente não é igual, haja vista as diferenças sociais e culturais encontradas em um país de dimensões continentais.”

“Com efeito, não se pode considerar crime fato que não tenha violado, verdadeiramente, o bem jurídico tutelado – a liberdade sexual –, haja vista constar dos autos que as menores já se prostituíam havia algum tempo.”


É fato que as meninas se prostituíam. A mãe de uma delas confirmou em juízo que a filha matava aula para se prostituir na praça com as amigas. Mas é fato também que têm apenas 12 anos.

Sabemos da situação de miséria por que passam inúmeras famílias no Brasil. Muitas vezes associada ao uso de drogas, especialmente o crack. A decisão do STJ cria jurisprudência e libera geral para os taradões de plantão: Se pagarem, podem transar com meninas de qualquer idade, que o STJ garante.

Incrível que esse absurdo tenha sido relatado por uma mulher, a ministra Maria Thereza de Assis Moura.

Se nem a lei protege mais nossas crianças, quem as protegerá?

Reportagem da BBC publicada na Folha mostra a grandeza do problema no Brasil. Há quem fale em dois milhões de crianças se prostituindo, algumas com nove ou menos anos de idade.

Número que agora pode aumentar com o liberou geral do STJ.

ITAPORANGA VELHA


(Onildo Sitonio)

Muitos anos se passaram, desde a última vez que Te vi, minha Bela!

Mas, ainda trago no mais recôndito do meu coração, no mais intimo do meu pensar aquela pontinha de alegria ao Te recordar, querida mãe da minha infância!

Poeirenta, quente, violenta, pobre –na minha pobreza par, e nobre, de uma nobreza sem par.
Assim Tu eras, vida minha, torrão materno, cápsula temporal no meu viver!

Na minha mente, como um raio retardado e longo, doce faceta da minha alma, estás presente, longeva pole, de resistência impar , de um fulgor assaz eterno.

Os teus filhos nunca te esquecem,  e o teu solo, hoje recoberto pelo preto do asfalto, foi testemunha de tantos casos de amor por ti, de desamor pela vida , de conflitos destruidores , de extremos no tratar; de festas populares inesquecíveis, de façanhas inimagináveis, marcas que não sãofáceis de apagar!

Um processo semi paranormal que afetou, diretamente, o desenvolvimento psiquico e mental de toda uma geração de filhos teus.

Como em um novo velho filme, do cinema de Ivan e Luzia, passamimagens indeléveis, ocasiões impares, lembranças vivas dos fatos e lugares que marcaram os nossos primeiros anos de vida.

Misericórdia!

Como tu eras linda e aconchegante!

Como nós passeávamos sobre o teu corpo desnudo e quente, mesmo nas noites frias e desertas dos teus pequenos invernos; como éramos felizes na nossa pequenez de crianças e adolescentes, curtindo o vai e vem das moçoilas em frente a sorveteria de Firmino, a difusora de Ananias a mandar páginas melódicas oferecidas a qualquer fulano, ponto mais que obrigatório das paqueras e dos flertes , onde eu conheci o meu primeiro amor, aquele morenaço, a deusa que povoou o meus sonhos por infindáveis noites; e nós, meninos, sôfregos por um olhar comprometedor, ficávamos a espreita de uma fugaz olhadela dela, da musa, da escolhida, da princesa , que as vezes nem essas coroastodas possuía.

Inúmeras tardes, passamos a tomar meiotas e jogar conversa fora no bar de Evilásio!

Ah!, as noites na praça do obelisco, quando nos juntávamos., à luz da lua, muitas vezes, para os campeonatos de pum e cuspo à distância – Bal, Nego Nilton, Zé Pibita... as intermináveis lutas de mocinho e bandido, por entre as madeiras ao largo da praça, na velha e talvez a única madeireira, que servia de perfeito esconderijo às nossas brincadeiras de cowboy, inspiradas nas mais recentes fitas do grande e inocente Roque Lane.

Ah!, as noites prateadas passando anel, sentados na calçada de Sebastião Gomes, brincando de boquinha de forno...forno... se eu mandar...vou...., a meninada toda da rua 05 de agosto, as mães enfileiradas catando piolho nos rebentos umas das outras, e cantarolando canções em uníssono; os candeeiros acesos nas janelas, prontos para serem derrubados por Pililiu de Iaiá eCarlinhos de Chico Lopes, os dois maiores e conhecidos bandoleiros da gurizada.

Os seus verões sertanejos quentíssimos, o sol a pino , o horizonte tremendo de calor, os banhos refrescantes no rio Piancó, o poço de Trocate, a caixa dágua, os carrinhos cheios de marcela, que carregávamos na beira da lagoa, os cavalinhos de pau, roliços e verdinhos, o aveloz da roça de ..., o Grupo Escolar onde fazíamos as mais loucas estrepolias, os esconderijos do Cruzeiro- onde brincávamos de camam, a famosa roça de Nesson, as noites e mais noites que ficávamos às portas do Atlântida, esperando dar  a hora para entrar de graça nas festas que nós não podíamos pagar, as noites frias e desertas das madrugadas com o vento assobiando sobre nossas cabeças.
Quanta aventura!

Lembro sempre de Ti, minha aurora !

Enumerar lembranças, quando a memória já anda um pouco fraca, é uma missão quase  impossível, mas, o coração comanda o cérebro quando falamos de amar, de extravasar sentimentos remotos.

Repuxo o tempo, quando à minha mente vislumbro a Praça da Matriz, a própria, o grande e querido Padre Zé, o sacristão Irineu, sempre douto a tocar o sino repicado, a beataria, o escurinho de ¨atrás da Igreja¨, onde era bom para namorar, as festas da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição, festa mesmo de encardir, as meninas que iam para lá e para cá, ao redor da praça, com seus vestidos lindos e seus sorrisos encantadoramente atrativos. Ah!, as meninas...

O grande Bosco, locutor da pesada – quando vier a Itaporanga, visite o bar e restuarante são francisco -, inesquecível voz dos auto falantes diurnos e noturnos estendidos ao longo da Avenida Getulio Vargas!

Como era bom ser teu filho querido, Pedra Bonita!
Como era gratificante voltar sempre para Ti!

Conhecer-te, quando eras ainda jovem e promissora, a Rainha do Vale do Piancó, era um deslumbre total.
Explorar todos os teus recantos, encantos e desencantos, teus lugares sacros ou devassos, tuas novenas intermináveis de louvor a Nossa Senhora, ou curtir teus assustados no Acrei, onde podíamos dançar coladinhos as músicas de R. Carlos, Jerry Adriani..., falando baixinho ao ouvido coisas da nossa malandragem adolescente, fumando cigarro Holywood e tomando cachaça com limão e coca, limão e nada.

Eu ainda assisto na memória, minha tentadora paixão, as fugas espetaculares dos casais apaixonados e proibidos de casar, as rusgas familiares dos Herculano e dos Sinfrônio, a Andorinha de Seu João, a Gaivota de João Moco, o homossexualismo rudimentar de Duda e Giboião, jegue-preto, com sua endêmica loucura, besouro, cadê os bobes?, levanta a saia da mãe... , os impolutos Dr Praxedes e Dr Balduino, as polêmicas tardes-noites protagonizadas por João Dehon, a figuta ilustre de Zé Barros, do cartório, o Ginásio, majestoso, na colina do cemitério, o Mercado Municipal e o Colégio, feito por meu pai, onde nós nunca pudemos estudar. (Sinceramente, um grande e inapagável erro pedagógico e espontâneo!)

A memória vai desvanecendo...

Hoje, as notícias que recebo sobre Ti, não me animam a te visitar!
Perdeste a tua inocência, ficaste adulta demais para reiniciarmos um relacionamento, te encheste de vícios e viciados, a televisão te corrompeu, teus meninos já não são mais os mesmos, teus casais não têm mais o lirismo de outrora, já não é proibido namorar, a internet acabou os passeios e os flertes, e os teus rapazes e moças se escondem nos lençóis dos motéis para se declarar.

Trocaram as meiotas de cachaça pelas guimbas de maconha e os picos de cocaína!
Os nossos guris estão morrendo à toa!

Mas, minha bela, não fica amarga e triste.
Não estás só nessa lamúria humana, neste abominável desperdício de vidas e histórias.
Aqui, onde estou a retirar do fundo do meu baú, as coisas acontecem em proporção.

C´est la vie.!

Saudades de Fernão. Saudades de Neidinha.

Saudades de Fernão. Saudades de Neidinha-
(Reynollds Augusto)
Fernão Dias , nome importante, nome de Bandeirante.  O nosso , de Itaporanga,  foi um desbravador de idéias e um dos primeiros a trazer para Itaporanga, a Rainha do Vale, o pensamento espírita. Foi um corajoso e destemido, em um tempo de preconceitos e de caça as bruxas. Em um tempo que dizer-se espírita era perigoso e como dizia Einstein “era mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito”.

Ainda é assim. O homem, atrasado, não consegue se libertar das suas amarras. Isso leva tempo. Muitas e muitas reencarnações. Mas Deus não tem presa.  E o tempo é uma ilusão, segundo o cientista racional e sem preconceitos. O tempo,  configurado no Presente, passado e futuro é uma grande  mentira. Não é uma hipótese filosófica, basta ter um olhar mais atento e outra ótica, para entender que o tempo é um engano que cria ilusões. O que é passado? O que o futuro? O que é o presente? Que nesse momento já não existe mais que é dividido em “agoras”.

O grande Hermínio Miranda dizia que existiu um cidadão de nome J.W.Dunne, engenheiro e matemático, da Inglaterra, que defendia que “não é o tempo que passa por nós e sim nós que passamos pelo tempo e é precisamente a nossa viagem através da dimensão temporal que nos proporciona a ilusão do movimento”.  Ele fez um gráfico, como gostam os matemáticos, para provar a sua teoria. Um negócio meio complicado de explicar, mas que mostrava a “cabeça pensante” que era.

Tudo isso me fez relembrar de um dos pais da Igreja Católica, e que foi um dos espíritos que ajudaram Kardec a codificar a Doutrina Espírita. Aliás, muitos espíritos que trouxeram a idéia espírita à Terra, estagiaram na Igreja Católica. Estou me referindo ao grande “Santo Agostinho”, que não sendo ignorante, tinha uma dificuldade tremenda de definir o que era o tempo:

“Que é, então, tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se desejo explicá-lo a alguém que me pergunte, não sei mais; (Agostinho, santo, 1852)

Hoje, no programa MÚSICA E MENSAGEM, que é levado ao ar terças, quartas e sextas, pela Rádio Boa Nova FM de Itaporanga, (http://www.sitesuperfacil.com.br/ssf/aovivo. php? id=6191) sempre ás 17 horas. No “circuito” espírita, como diz Paulinha, nós resgatamos quadros e falas da dupla de locutores: FERNÃO DIAS E NEIDINHA.  

São quadros como “VOCÊ SABIA”, ELUCIDAÇÕES EVANGÉLICAS”,” OS HOMENS PERGUNTARAM E OS ESPÍRITOS RESPONDERAM” e inúmeras mensagens de espíritos diversos, que estão sendo reapresentados, para que possamos relembrar um tempo que não volta mais, mas que ficou gravado no éter na existência.

O programa era MENSAGEM DE VIDA ETERNA.

A mensagem espírita não morre e nem muda, pois ela está fincada em princípios imorredouros.  Kardec disse que poderíamos até mudar o foco da interpretação, á medida da maturidade, mas isso não conseguiria mudar a energia que vem de Deus.

Quando Jesus falou que “conhecereis a verdade e ela vos libertará” é que a verdade é verdade em qualquer tempo e lugar. E as nossas gravações dos anos noventa, estão atualíssimas. Deu uma saudade danada daquele tempo, que agora vou relembrar no tempo presente. E  se você quiser, também, pode acompanhar pela rede Mundial  de computadores, a coqueluche dos dias atuais. Vai ouvir uma voz firme e forte de um locutor  perfeito,  que no dizer do nosso então controlista de som, SAVI FILHO:

- Há eu com uma voz dessa!

A voz de Neidinha ainda era de adolescente, mas aconchegante como sempre foi a sua alma. Nós saíamos altas horas da noite, à cidade vizinha de Piancó, para gravar os programas da semana toda. Vinte minutos cada e que custou muito colocar no ar, pois era caro e difícil. Em um tempo que falar de Espiritismo era um desafio.

Hoje tudo está mais fácil, pois os tempos são chegados.  O mundo nunca precisou tanto da idéia espírita como hoje e atualmente e idéia espírita nunca foi tão apreciada,

MÚSICA E MENSAGEM – E agora resgatando “MENSAGEM DE VIDA ETERNA”- Terças, quartas e sextas.
O CONSOLADOR: quintas

PAPO JOVEM ESPIRITA: domingos e segundas
Sempre às 17 horas.


PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO. www.pensenisso.itaporanga.net

segunda-feira, 26 de março de 2012

Centro Espírita de Catingueira Forma a sua Nova Diretoria

 

No último domingo, dia 25, em uma reunião cheia de harmonia,o  Centro Espírita Jesus de Nazaré, em Catingueira, elegeu  a sua nova diretoria.

Além dos companheiros  espíritas de Catingueira, estiveram presentes o nobre amigo e fundador da casa espírita Dr. Fernando Loureiro e o nosso grande amigo Vicente Eduardo. 

Por unanimidade Sebastião fausto (Tião) foi escolhido como o novo presidente e Dr. Fernando Loureiro vice. 

Durante a reunião o amigo poeta marcou presença e nos deixou uma mensagem, onde fala sobre a responsabilidade da nova diretoria.


Oportunidade

 Parabéns pela oportunidade                                     
Que o alto está te dando
Agradece com responsabilidade
Servindo e também se doando.

Seja meu irmão humilde
Trabalhe com muito amor
E em nenhum momento duvide
Do auxílio do criador.

Sê um líder, exerce a função de modelo
Comporta-se meu irmão de tal forma.
Tendo Jesus como espelho
Assim o ser se transforma

Mas lembre-se de ter consciência
Que há um débito do passado
E assumes a presidência
Porque és  endividado.


                               Mensagem psicografada por ocasião da eleição de diretoria , onde o companheiro  Sebastião fausto (Tião) foi escolhido como presidente do centro espírita Jesus de Nazaré.

Um amigo Poeta 25/03/2012

Na PB, um plano digital de R$ 6,2 mi inaugurado pelo atual ministro das Cidades vira grande mico


No mês de março do ano eleitoral de 2010, a prefeitura de João Pessoa inaugurou um projeto que, no gogó, faria da capital paraibana a primeira cidade do país voberta por internet gratuita. Decorridos dois anos, a conexão não existe e o negocio virou um mico de aparência superfaturada.
O caso foi esmiuçado em reportagem levada ao ar pelo programa Fantástico. Envolve um personagem que acaba de escalar a Esplanada: o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), recém-convertido por Dilma Rousseff em ministro das Cidades. Em João Pessoa, ele respondia pela Secretaria de Ciência e Tecnologia.
Nessa função, coube a Aguinaldo anunciar, do alto de um palanque, a boa nova tecnologica que faria de João Pessoa uma terra conectada. “Internet de graça pra toda galera de João Pessoa. Parabéns”, disse a uma multidão de jovens atraída por um show de rock.
A coisa custou R$ 6,2 milhões, dos quais R$ 4,7 milhões foram providos pelo governo federal. Hoje, além de não entregar a mercadoria prometida –internet gratis— o programa convive com suspeitas de superfaturamento.
Disfarçado de funcionário de uma prefeitura, um repórter fez contato com a empresa que instalou os equipamentos de João Pessoa. Simulou interesse em levar o mesmo serviço a outro município. Sem saber que estava sendo gravado, o representante da empresa falou abertamente em propina.
Contactado, o ministro Aguinaldo Ribeiro negou participação em qualquer tipo de malfeito. O prefeito de então, ricardo Coutinho (PSB) é agora governador da Paraíba. Nos próximos dias, acompanha Dilma Rousseff em viagem à Índia. A presidente não vai precisar nem recorrer ao telefone para buscar explicações sobre o mau uso dos milhões federais. Basta olhar para o lado.

domingo, 25 de março de 2012

SUS do B: sem pagar nada, senadores usufrem de um sistema de saúde verdadeiramente único



Há seis dias, José Sarney presidiu no Senado uma cerimônia de celebração à Campanha da Fraternidade da CNBB, batizada neste ano de ‘Fraternidade e Saúde Pública’. Ao discursar, Sarney lamentou que os patrícios ainda tenham de lidar com um serviço de saúde doente.
“A Campanha da Fraternidade tem razão quando diz que o SUS ainda não conseguiu ser implantado em sua totalidade e ainda não atende a contento, sobretudo os mais necessitados desse serviço. Infelizmente, nós lidamos com a ausência de recursos e os investimentos não acontecem na escala necessária.”
O lamento de Sarney não vale para o Senado, a Casa que preside pela quarta vez. Ali, funciona uma espécie de ‘SUS do B’, um sistema de saúde verdadeiramente único e universal. Oferece todos os privilégios e regalias que o dinheiro do contribuinte pode pagar. No Brasil e no exterior.
O repórter Chico de Gois leva às páginas notícia sobre esse SUS dos sonhos. Sem desembolsar um mísero centavo, os senadores e seus dependentes dispõem de assistência médica pelo resto da vida. Não há carências nem limite de gastos. Basta apresentar a nota. Vale tudo, inclusive conta de dentista.
Há casos em que os reembolsos ultrapassam a casa dos R$ 100 mil anuais. Desde 2007, os ressarcimentos sorveram das arcas do Tesouro R$ 17,9 milhões. Incluindo-se os ex-senadores, a conta é engordada em R$ 72, bilhões. Salta, então, para R$ 25,1 milhões.
Sim, acredite, o seu dinheiro custeia também as consultas e os exames dos ex-senadores. Para desfrutar do “direito” de desafiar a paciência alheia, os pacientes do Senado nem precisam passar pelo inconveniente das urnas. Um suplente sem votos escala o Éden depois de exercer o mandato por escassos seis meses.
Para os ex-senadores, o ‘SUS do B’ impõe um teto de despesas: generosos R$ 32.958,12. Mas esse limite é frequentemente ultrapassado. Em 2008, o ex-senador Moisés Abrão Neto (PDC-TO) espetou na bolsa da Viúva despesas médicas de R$ 109.267.
No ano anterior, 2007, o ex-senador Divaldo Suruagy (PMDB-AL), fora do Senado desde 1994, teve ressarcida uma conta do dentista: R$ 41.500. De volta a 2008, contribuinte pagou R$ 67 mil pelo tratamento dentário da mulher do ex-senador Levy Dias (DEM-MS).
Há casos que, por inexplicáveis, dispensam explicações. Certos ex-senadores apresentam faturas médicas que coincidem com o teto de R$ 32,958,12. Valor exato, cravado até nos centavos. Foi o que sucedeu com pelo menos três ex-senadores: Lúdio Coelho (2009); Levy Dias, de novo ele (2010); Carlos Magno Barcelar (2011); e Antonio Lomanto Júnior (2011).
Afora os ressarcimentos de tratamentos privados, os senadores dispõem, no prédio do Senado, de um posto de saúde. Coisa fina, indisponível em muitos municípios brasileiros. Tratados assim, terão vida longa –os senadores, os ‘ex’, e a conta imposta aos contribuintes em dia com o fisco.