sexta-feira, 27 de junho de 2008

A lição de Júlio Charles

Carlos Aranha

Não vou externar aqui o sentimento em relação à morte de Júlio Charles, de quem tive o prazer de ser amigo desde os inesquecíveis dias e noites do Limousine 58. Já o fiz desde sábado - pelo Orkut e na lista Essas Coisas On Line - e em matéria publicada ontem na capa deste caderno.

O espaço desta quarta-feira é para dizer o quanto de produtiva foi a lição que Júlio Charles deu a quem faz (ou pretende fazer) produção musical na Paraíba. Não foi por mera semelhança e coincidência que o Limousine 58 levou mais de 15 mil pessoas a um de seus shows, na Praça do Povo do Espaço Cultural, nem fez com que emissoras de rádio na Paraíba toda, e em Estados vizinhos, tocassem músicas como “Colorido recente”, “Marcou geral” e a belíssima canção “Mistério” (na marcante interpretação de Ricardo Fabião).

Foi resultado de persistência do criador do Limousine 58. Como escreveu Ricardo Fabião: “Júlio era a coragem, era quem dava os passos, quem içava as velas, quem checava os nossos motores. Estava sempre à frente, conferindo o tempo, as cores, as coisas, sinalizando o devir”.

Entenda-se que Júlio Charles não era somente compositor. Ele sabia que não adiantava apenas ter qualidade, fazer pose de independente para os “culturalmente corretos”. Júlio sabia que havia um mercado a enfrentar. Ou melhor: um entrar no mercado. Nisso, foi pioneiro, no gênero pop-rock, em todo o Nordeste. Se o grupo não tivesse acabado, por desentendimentos internos e não por falta de sucesso, com mais um disco teria explodido nacionalmente. Seria inevitável. Mas, há desígnios que a mente humana não alcança.

nnnnnnnnnn

Assim aconteceu. O Limousine 58 foi grupo de um disco só, mas que “marcou geral”. Júlio Charles seguiu rigorosamente a regra de que assim como “cinema também é diversão”, música também é mercado. Foi isso que criou uma “Geração Limousine 58”. São pessoas que hoje têm entre 35 e 50 anos de idades, conservam o LP, conseguiram o remasterizado, baixam músicas na Internet (mostrando-as aos filhos), sorriem quando escutam “ah, essa cor de paixão” e agora choram com a letra de “Mistério”.

O Limousine 58 foi a Blitz paraibana, nossa irreverência e alegria dos anos 80. A reação do público, da juventude, era espontânea, mas até chegar ali teve que existir um grande produtor para o grupo. Esse foi o enorme papel de Júlio Charles. Foi a maior lição que deixou Infelizmente, os que hoje improvisam produção esquecem que sem mercado não há platéia. Show não é apenas colocar os músicos sobre o palco. É muito mais. Não é, Júlio?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O Aparente Ingênuo - O Real Lobo Político

Por Lucas em 27/6/2008

Pois é! Eu estou feliz, radiante, até! Alguém aí, numa mensagem mais para baixo, escreveu que eu era Saulo. Que bom! Não é todo dia que uma pessoa é confundida com outra, portadora de alta inteligência, de alta formação e, sobretudo, dotada de imensa cultura. Não sou eu que a está julgando assim, são suas mensagens aqui expostas a falarem mais alto. Obrigado, senhor escriba! Tenho esperança que suas comparações sejam sempre inteligentes e que você tenha sempre lucidez, como teve agora, principalmente, em suas análises políticas, afinal de contas, somos filhos da mesma Eva!

Enquanto isso, aqui da Terra dos Marechais, aguardando a vez de uma consulta médica, tenho em mãos um jornal da semana passada noticiando que a briosa Polícia Federal, na Operação Taturana, indiciou o presidente da Câmera de Vereadores, um tal de Arnaldo Fontan, do DEM, por peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, etc, etc. As divagações,então, começaram a surgir em minha mente e, de Maceió, voei para a Paraíba um tanto quanto intrigado com o que acontece por lá.

Um Governador caçado por corrupção, mas que continua no mandato pelas brechas existentes na Lei, ditando normas e exigindo quem deve ser o prefeito de cidade A ou B e afirmo baseado no que li semanas atrás em um dos Blogs ou Site daí de nossa cidade, onde um cacique ao ser inquirido como seria a composição da chapa que ele apoiaria, respondera não poder afirmar no momento, pois estava esperando a palavra do governador. Então eu fico imaginando: o que será de um Município que poderá ser administrado pela escolha de um governante indiciado por crime de corrupção, sustentado no Poder pelo esforço hercúleo de seus advogados que criam mecanismos para ir protelando seu julgamento no Supremo, ao mesmo tempo em que tentam protocolar o Processo.

A mais recente investida ao Supremo é a de que o Mandato pertence ao Partido. Ora, ora! Que seja! Que o mandato pertença ao PSDB, mas, o seu ocupante teria que ser jogado fora e que assumisse alguém indicado pelo Partido, já que o Vice foi eleito com os votos do titular. Mas, este casuísmo, criado agora pelos advogados do governador, estaria ferindo os Princípios Constitucionais que não explicitam ser o mandato de exclusividade de um Partido, mesmo porque tal prática fere também os Princípios Democráticos, pois, ao invés do Eleito, uma Junta Partidária era quem iria ou poderia governar, após a escolha eleitoral, pelo Povo. Tudo isto, então, não passa de uma manobra para ir adiando o julgamento. Não estou atrás de quem irá assumir, no caso, da concretização do julgamento. Desejo, sim, o cumprimento legal das Normas Constitucionais Vigentes.

Contudo, como se nada estivesse a ocorrer e no eterno julgamento íntimo de que ainda é possível ludibriar o Povo, o Governante da Paraíba utiliza-se de um de seus Deveres, atinentes a qualquer mandatário eleito, para, sutilmente, fazer a campanha política de seus pupilos. Assim, em sua agenda, no dia 4 de julho (que data, ein, meu caro Saulo – independência dos Estados Unidos?) será instalada, em Itaporanga, um tal Programa Ciranda de Serviços aonde são oferecidos 27 tipos de serviços sociais, tais como: dermatológicos, oftalmológicos, mastológicos, vacinação, exames de sangue, etc, etc. Interessante! È necessário, o eleitor saber que tudo isto sempre deve estar à disposição do cidadão através das Secretarias do Estado em convênio permanente com as Prefeituras. O mais interessante é que tal Programa só vem à baila em tempo de eleição.

Estão fazendo dois aninhos, que este Programa rondou ou rodou pelas ”praias” itaporanguenses e de outras comunas do Estado. Se o Senhor Cássio fosse médico, sua prevenção contra males seria estupenda: “prezado cliente, faça exames médicos, no mínimo de dois em dois anos!”. No referido Programa estão inclusos, também, retirada de carteira profissional, de identidade, registro de nascimento. Eu pergunto: também de título eleitoral?

Será que Itaporanga vá voltar aos tempos de Misericórdia?
Como as famosas “casas de comida” de outrora, assim como os fretes de transporte são proibidos pela STE em todo Território Nacional, o Programa Ciranda de Serviços, e o nome está a calhar, substitui formalmente aquelas ações de engodo eleitoreiro. Permita-me, caro leitor, contar-lhe uma estoriazinha interessante para mostrar-lhe como já havia pessoas de visão, naqueles tempos que nem sonhavam com os meios de comunicação atuais que lhes emprestam oportunidade de você desenvolver sua inteligência e não se deixar enganar, facilmente.

Esaú Guimarães era um cidadão misericordiense que residia no distrito de Timbaúba, hoje, Serra Grande, aonde era tido e respeitado por todos daquela localidade, como o Mestre, pois ministrava as primeiras letras àquela gente, gratuitamente, sem remuneração alguma, apenas com o intuito de passar aos outros o pouco que aprendera. Grande Mestre Esaú Guimarães! Será que na Serra Grande tenha algum logradouro com seu nome? Nosso Amigo João Dehon que, pelo visto, gosta de andar pelas Comunas do Vale, deve saber, ainda mais porque, como li na sua última matéria, é da família Guimarães, não sei se tem algum parentesco com o Mestre! Pois bem! Aqueles idos, era a década de 50! Pertinho onde eu morava havia uma daquelas “Casas de Comida”, aonde o eleitor, coitado, era trazido por um determinado Cabo eleitoreiro, aqueles que lhes falei em outra matéria, para almoçar e, como boi, puxado por um cabresto moral, levado para votar em quem o desonesto que lhe conduzia o indicasse.

Eu e meus vizinhos de rua, Edvando e Otoniel Padre, bem como sua bonita irmã, Neriza, nos seus oito anos , gostávamos de espionar aquelas casas de comida, no seu vai-e-vem infernal de gente faminta. Argemiro de Figueiredo era candidato a Governador pela famigerada UDN (depois Arena, PFL e DEM). As eleições aconteceram! No outro dia, começaram as apurações! Quando se apuravam as urnas de Timbaúba, numa delas, dentro de um voto havia um bilhete com os dizeres em forma de verso:

“Aprendi com Esaú
Qualifiquei com o Mestre,
Comi o boi de Argemiro
E votei contra o peste”.

Seria salutar para, não só Itaporanga, mas para as demais cidades do Estado que vocês, inteligentes eleitores, fizessem como o nosso personagem, criador da estrofe, acima, dessem uma lição de sapiência àqueles que ainda não acreditam que você progrediu, que você se modernizou, que você tem inteligência e já sabe utilizá-la sem necessidade de “cabresto”, pois suas idéias são propriedades sua, exclusivamente, e ninguém mais tem o direito de violá-las. Obrigações e Deveres do Estado não podem e não devem ser utilizados como as outrora “Casas de Comida”, refúgios de muito engodo, de muita enganação.

Certa feita, quando me achava em João Pessoa, eu batia um papo gostoso com um dos irmãos Fonseca, Dr. Antônio que residia (não sei se ainda mora) em São Paulo. A conversa acontecia num restaurante situado numa Rua, cujo nome não me vem à memória, no momento, paralela a beira mar, que liga as avenidas Epitácio Pessoa e Beira Rio. Naquela ocasião, tenho lembrança que ele dizia: “Não existe ninguém “burro”, existem pessoas que não sabem usar a inteligência”. Aqui, no nosso Site, há determinadas pessoas que, ao fazerem suas análises políticas se esquecem da máxima escolar: “todo extremo é burro”. Para elas o meio termo é inexistente. Com efeito, se alguém não gosta de comida quente é porque a aprecia gelada, ou seja, a terceira opção, comida morna, deixa de existir. Ao se exporem as verdades sobre determinado grupo, como já foi feito por aqui, implica, nesta lógica absurda, ser adepto da outra facção.

O que estamos querendo, e já deixamos bem claro em nossas mensagens, e eu diria, mais filosóficas e menos proféticas, é, apenas, iluminar alguma área escura na senda política itaporanguense. Posemos, pois, nossa nave mental num passado que não vai distante. Will confrontava-se, politicamente, com o Clã Ivete Fonseca. A disputa era acirrada e tudo indicava que esta, após o pleito, seria a vitoriosa. De repente, os nimbos se formaram e se precipitaram sobre a seara contrária, criados por um deus pequenino alcunhado de Antônio Porcino. A campanha de Will ganharia fôlego sob a égide do novo personagem advindo da terra dos bandeirantes que queria mostrar ao seu povo que se tornara, também , um bandeirante. Aos olhos dos salvados, o salvador tinha, até, olhos azuis, cabelos dourados, e merecia muito respeito.

A pecúnia é pecaminosa à proporção que ela enche os olhos dos ladinos em espasmos de hipocrisia! Como não poderia deixar de ser, a ala de Will foi a vitoriosa. Mas o tempo, incansável, girou sua roda e quatro anos mais tarde, o deus pequenino e salvador de outrora voltou a ter os olhos negros, os cabelos crespos, passando a ser alvo de racismo, crime, aliás, inafiançável na Constituição Brasileira, por muito dos salvados do passado. Agora, a fusão era outra, já que, há pouco tempo atrás, contrariando a química, um sal com uma base dera um ácido. Porcino e Silvino, eleitos pela “vontade” do povo, seriam o progresso prometido a nossa enganada Itaporanga.

Há poucos meses, li a coluna Bastidores, deste promissor e brilhante Jornalista Itaporanguense, Isaias Teixeira, aliás, coisa que costumeiramente faço ou nos Sites ou na Folha do Vale. Ali em sua coluna me deparei com uma mensagem, não só bem escrita, mas cheia de humor, com ironia refinada, sem, no entanto, procurar ferir quem quer que seja. Matéria digna, mesmo, de quem sabe escrever, de quem sabe o que diz, de quem pensa independente. Lá, ele falava refinadamente, da promessa que Porcino fizera a Deus, no auge da empolgação, própria dos recém eleitos: “Prefiro que Deus me tire com um infarto se for pra levar um centavo de Itaporanga que não seja meu”. Coincidentemente, Porcino sofreu um enfarto, recentemente.

Mas superstições à parte, não posso afirmar se o Prefeito levou algum centavo da Prefeitura, sei dizer tão somente, segundo Isaias, que naquela posse estavam presentes muita gente boa, como o Presidente da Câmara, Lula da Farmácia, os “barões” de ambas as facções em litígio, na época e, talvez, uma gama de bajuladores (esta suposição é minha). Conclusão: quem incluiu Antônio Porcino nos bastidores da política de nossa Cidade? Quem ratificou seu ingresso neste cenário? É necessário responder?

O que acontece, é que pessoas possuídas somente por suas ambições, fazem desta mesquinhez seu reino encantado, enclausura-se neste castelo e não procura saber o que acontece além de suas fronteiras. Antônio Porcino é presidente de um Sindicato situado numa das maiores áreas sindicais da América Latina, ligado ao conglomerado de Centrais mais desenvolvidas do Mundo, em todos os aspectos, tais como CUT, CGT, etc. No caso, seu Sindicato é ligado a CUT. Para quem acha ou não tem noção ou procura ignorar que isto é brincadeirinha de menino “buchudo”, eu informo: para se chegar ao Comando de um destes Sindicatos é necessário profundo conhecimento político e, sobretudo, ser dotado de grande espírito de liderança.

Eu sei o que é uma política sindical, eu conheço os seus meandros, pois já estive por lá. Ali é uma Faculdade de se fazer política. Não é a toa que o Congresso está repleto de ex sindicalistas, não é por acaso que o Cargo Máximo da Nação esta sob a batuta inteligente de um ex aluno dos Sindicatos. Então, Antônio Porcino, com sua áurea de ingênuo é um hábil político, um grande Líder. Foi isto que os enclausurados da soberba não puderam ver e achando que poderiam colocar uma rédea no aparente ingênuo, deram com os burros n’água. Aqui vou abrir um parêntese, para dizer que não sou adepto da política de Porcino, mesmo porque estando longe, não tenho subsídio para tal, mas, ao contrário estou abrindo os olhos daqueles que o julgam, no mínimo um trouxa e ratifico, trata-se de um “lobo matriculado” na política. Em todo caso, prefiro acreditar no que Isaias nos diz em sua coluna, razão de sua escrita “UM AVISO DOS CEUS”.

Outrossim, não estou denegrindo a imagem de quem quer que seja, faço apenas uma exposição do que já ocorreu, sem nutrir idéias exacerbadas por A ou por B, como ocorre com determinada gente, que apesar de trazer um enorme potencial jornalístico, tende a se imiscuir por trilhas de paixões que não levam a lugar algum. Já conheci “coqueiros” frondosos que ruíram e desapareceram vítimas de vendavais aos quais eles se julgavam imune. Os Villaboas Correias da vida, que o digam.

Originalmente publicado no Mural do Itaporanga.net

O Limousine Partiu!

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Homenagem do Correio da Paraíba ao músico Júlio Charles

Na edição desta terça-feira, 24 de junho, o jornal Correio da Paraíba dedicou uma página inteira em homenagem ao músico itaporanguense Júlio Charles. A matéria sobre Julinho foi publicada na capa do Caderno 2 do jornal de maior circulação no estado.

Adeus ao criador do Limousine 58

CARLOS ARANHA

Poucas pessoas foram tão ousadas na música paraibana quanto Júlio Charles Alvarenga Cirilo, que morreu sábado passado, pela manhã, em acidente automobilístico, próximo a São Mamede, na Paraíba

Júlio Charles conseguiu organizar, lançar, produzir e gravar um dos grupos de pop-rock de maior sucesso no Nordeste, em 1985: o Limousine 58. Júlio, Ricardo Fabião, Robério Jacinto e as vocalistas balizadas como Ratas Mecânicas, levaram à Praça do Povo do Espaço Cultural cerca de 15 mil pessoas. Eu vi.


Disco-solo e o sonho de reagrupar a banda

Julio Charles e o arranjador Poty Lucena

Júlio Charles nasceu em Pombal, em 9 de julho de 1963, mas seus pais foram morar em Itaporanga quando ele era guri. Chegou aos 44 anos, sempre dizendo que era "itaporanguense de paixão".

Compositor, cantor e produtor musical, teve o grande mérito de na metade da década de 80 organizar o Mixto Quente, que passaria a se chamar Limousine 58, lançando o LP "Marcou geral", que chegou a ser bem executado nas rádios de várias capitais brasileiras. O maior sucesso foi a canção "Mistério", com uma interpretação insuperável de Ricardo Fabião.

Mas, o disco, com influências maiores da Blitz, do Barão Vermelho e do melhor pop-rock dos anos 80, tinha outras faixas de alta qualidade no género: "Cara pálida", "Amortecedor", "Colorido recente", "Ivete Chiclete", "Viva-ce" e "Marcou geral". Eram dez faixas. Sempre gostei de todas. No disco-solo que lançou neste ano, "No teu olhar", Júlio Charles regravou "Colorido recente" e "Cara pálida". Entre as inéditas, "Animais irracionais", com a participação de Paulo Vinícius.

A última conversa que tive com Júlio foi na redação do "Correio da Paraíba", quando me revelou o sonho de reagrupar o Limousine 58.

Quando o grupo acabou, com apenas um disco gravado, não foi em clima dos melhores. Acho até que os então três jovens Júlio, Ricardo e Robério não estavam preparados psicologicamente para o grande sucesso que tiveram. Mas, os três voltaram a conviver bem nos últimos anos, tanto que o CD-solo de Júlio foi gravado no estúdio O Beco, que é de propriedade de Robério Jacinto.


"Grande família"

Juntamente com o publicitário e jornalista Armando Formiga, também me senti integrante da "grande, família Limousine 58" como assim foi definida pela "backing vocal" Wanini Emery. Convivemos muito em mesas de bares em noites maravilhosas desta cidade que aprendemos a amar.

O Limousine 58 deixou alguns herdeiros. Ontem, o compositor Gustavo Magno me contou que quando tinha 16 anos cursava eletrônica na antiga ETFPB (hoje, Cefet) e estava aprendendo violão. "Em meu repertório, tinha músicas do Limousine 58. Eu e meus amigos da época ouvíamos o disco do Limousine várias vezes. Era o melhor da música paraibana e o que desejávamos seguir".

O teatrólogo Makários Maia disse que foi da "geração Limousine": "Acompanhei os meninos nos primeiros shows e cantei muito com eles num boteco numa esquina do Cabo Branco".

Fã do grupo, Adalberto Peixoto preparou material especial na Internet. Vi e recomendo. O endereço é http://www.ofaneseusidolos.gigafoto.com.br/.


Intérprete de "Mistério", Ricardo Fabião diz o que sente

"Poucos amam a música como Júlio amava. Poucos são os que como ele conseguem dedicar tanto tempo e paixão a ela. Devo muito a ele - apesar dos meus silêncios, de tantos desvios em nossa estrada. Júlio tinha qualidades singulares. Nasceu voltado para o mundo do espetáculo. Era um grande produtor. Do amigo, falo adiante. Agora, quero aproximá-lo de sua grande paixão:

a música. Ele não comia outra coisa, ele não bebia outra coisa, ele não respirava outra coisa. Era comum vê-lo cegar diante de sua arte, desconhecendo fronteiras, invadindo jornais e rádios. Mal raiava o dia, e lá se punha em marcha, cruzando o campo minado da vida artística; alçando voos por céus cinzentos, decolando em dias chuvosos, aterrissando em terrenos perigosos; não consultava os instrumentos indicadores de falhas e mazelas humanas. Às vezes era ingénuo. Não atentava para certos olhares, e, sem querer, revelava o "X" do mapa.

De suas técnicas acerca de como ser e acontecer músico não me esquecerei jamais. Por esta razão devo parte do que conquistei como artista a ele. No Limousine 58, Júlio era a coragem, era quem dava os passos, quem içava as velas, quem checava os nossos motores, estava sempre à frente, conferindo o tempo, as cores, as coisas, sinalizando o devir.

Como amigo, recordo um sorriso, um bom papo em noites incansáveis de violão batido; de uma composição aqui e outra para logo mais. Ele, Robério, eu -jovens apostadores - tínhamos força para vencer as esquinas de várias gerações. Aquele abraço que os amigos não sabem dar, saía através de uma canção, de um vocal que batia no ponto certo da harmonia, implodia naquele trecho em que música suprime palavras. Viajamos juntos, buscando fama, gastando nossa energia de rapazes pelo Brasil pós-ditadura. Brindamos meses de sucesso, amargamos semanas de portas fechadas.

Nada quebrava o encanto das noites de cerveja nos copos, o brilho dos olhos, os sonhos plantados. Tudo estava semeado, que viesse a colheita. Não deu muito... e deu: colhemos o suficiente para nossa vida pessoense. Você, Júlio, queria mais, sempre quis mais. A limousine quebrou-se, enferrujou, virou carro-fantasma. Eu desci na curva seguinte... Talvez Robério tenha perdido um pouco do sonho também. Guardei as asas depois da primeira queda. Custou, mas passei a amar e conferir outras grandezas além da música. Você permaneceu limousine. Largou um bom pedaço de sua vida, de sua terra firme, para aventurar-se obstinadamente música adiante".


Já foi criada no Orkut uma página para a comunidade ETERNAMENTE...JULIO CHARLES...

Será nesta sexta-feira, 27/06, às 17h00, na igreja Santa Júlia, no bairro da Torre, em João Pessoa, a Missa de Sétimo Dia de JÚlio Charles Alvarenga Cirilo. A família convida os parentes e amigos.

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